Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Divino Menino Jesus de Praga.



História

Esta devoção, embora já muito conhecida, precisa de ser explicada para que o povo todo possa apreciar a sua origem, os seus fundamentos teológicos, a sua importância soberana e a sua utilidade atual. A devoção ao Menino Jesus data de Belém; passou pelos anjos, por Maria e José, pelos pastores e Reis Magos e é continuada pelos santos através dos séculos, seguindo ainda o seu curso sempre ascendente.

Embora muitos tenham ouvido falar do Menino Jesus de Praga, poucos conhecem dados concretos a respeito dessa devoção à divina infância do Salvador do mundo[1]. Transcorrendo neste mês a comemoração do nascimento do Divino Redentor — a data máxima da Cristandade — julgamos oportuno apresentar a nossos leitores o admirável histórico dessa devoção ao Deus-Menino.

Desde tempos imemoriais, os justos do Antigo Testamento ansiavam pela vinda do Prometido das Nações, que viria endireitar os caminhos tortuosos, aplainar os montes, encher os vales. Numa palavra, abrir o Céu para a humanidade pecadora. O Profeta por excelência desses futuros acontecimentos, Isaías, sete séculos antes da vinda do Divino Redentor, anunciou que Ele nasceria de uma Virgem.

Nos primeiros séculos da era cristã, muitos foram os santos que abordaram o tema do Deus Menino e seu nascimento, especialmente o Papa São Leão Magno[2].

Coube à Idade Média a glória de corporificar e expandir essa devoção. Vários santos foram então chamados pela graça divina a manifestar especial enlevo pela divina infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual se chega por meio de Nossa Senhora. São Francisco de Assis, ao meditar enternecido a respeito do grande Deus que se tornou frágil Menino numa manjedoura, montou o primeiro presépio para representar esse divino mistério. Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa), seguindo o exemplo de seu mestre e fundador, encantava-se com o Deus-Menino, e mereceu recebê-Lo várias vezes milagrosamente em seus braços. E é desse modo que o grande santo franciscano é comumente representado. Outros santos tiveram a mesma graça.

Entretanto, foi na Espanha da Contra-Reforma, durante o chamado "século de ouro", que o divino Menino Jesus passou a ser venerado em imagens em que aparece de pé, manifestando um ou outro de seus atributos.

A grande Santa Teresa de Ávila introduziu essa devoção em seus conventos, e a partir deles espraiou-se por toda a Espanha e depois pelo mundo. Seu discípulo e co-fundador do ramo carmelita masculino reformado, o sublime São João da Cruz, entusiasmava-se tanto com esse mistério de um Deus feito homem, que, durante o período de Natal, levava a imagem do Menino Jesus em procissão, e bailava com ela ao colo. Compôs também tocantes poesias sobre a Natividade.

Assim, surgiram nos conventos carmelitas várias invocações do Menino Jesus, como El Peregrinito, El Lloroncito, El Fundador, El Tornerito e El Salvador.

Mas tal devoção não se limitava aos claustros. Já Fernão de Magalhães, quando descobriu as Filipinas, levava consigo uma dessas imagens de Jesus Menino, e lá a deixou, sendo ela venerada até hoje na ilha de Cebu.

Tomou uma forma concreta e universal sob o título do Menino Jesus de Praga. E sob este título, essa devoção foi eminentemente carmelitana em sua origem, até que se tornou tesouro universal do cristianismo. É na verdade uma flor delicada e divina que germinou e floriu no jardim do Carmelo e que, desabrochando sob o calor vivificador da Chama Divina, despede pelo mundo inteiro o seu consolador e suave aroma. O CONVENTO DE PRAGA. O Soberano Pontífice Paulo V nomeou o venerável P. Domingos de Jesus Maria (Geral dos Carmelitas Descalços e confessor de Sua Santidade), seu Legado junto do Imperador da Áustria, Fernando II, que defendia os direitos de Deus e da Igreja Católica contra o príncipe palatino de Pfalz, encarniçado calvinista, que se apoderou do trono e se fez coroar rei na cidade de Praga. Fernando II pôs toda a sua esperança na intercessão de Maria Santíssima e nas orações do Venerável P. Domingos. No dia da Assunção o Senhor revelou a este santo religioso a vitória dos exércitos católicos. Antes de entrar na batalha, impôs o Escapulário do Carmo ao Imperador da Áustria, ao Duque da Baviera e a todos os soldados; monta a cavalo e, tendo o Crucifixo numa das mãos e mostrando com a outra um quadrinho da Sagrada Família, que tinha sido profanado pelos hereges, exorta os soldados a implorar a proteção de Maria contra os inimigos do Catolicismo. Três horas bastaram para dispersar o grande exército calvinista de 100.000 homens. O Imperador como testemunho de gratidão, fundou conventos de Carmelitas em Viena, Gratz e Praga.

É este convento de Praga que o Menino Jesus vai escolher para fazer brilhar o seu poder e amor soberanos.

Carmelita Venerável: confidente do Divino Infante

Coube porém a uma filha de Santa Teresa ser a confidente do Menino Jesus e a propagadora da sua devoção. Trata-se da Venerável Margarida do Santíssimo Sacramento (1619-1648), carmelita do convento de Beaune, na França. Esta freira, falecida aos 29 anos, entrou para o convento aos 11 anos como pensionista. Tinha grande familiaridade com os Anjos e Santos e o privilégio de participar de todos os grandes mistérios da Vida do Salvador, como seu Nascimento, Transfiguração e Paixão. Entretanto, recebeu a missão especial de venerar e propagar especialmente a devoção à divina infância de Cristo.

"Eu te escolhi para honrar e tornar visível em ti minha infância e minha inocência, quando eu jazia no presépio", disse-lhe o Menino-Deus, quando ela rezava diante de uma imagem sua existente no convento, conhecida como O Rei da Glória. A Irmã Margarida do Santíssimo Sacramento recebia muitas graças extraordinárias, mediante as quais o Menino Jesus fazia-lhe compreender de um modo mais profundo esse mistério[3].

Ela fundou a Família do Menino Jesus, convidando todos os que dela quisessem participar a celebrarem com fervor os dias 25 de cada mês, em lembrança da Santa Natividade, e a rezarem a Coroinha do Menino Jesus (três Padre-Nossos e 12 Ave-Marias) em honra dos 12 primeiros anos de sua vida.

Dois séculos mais tarde, outra carmelita, Santa Teresinha do Menino Jesus (+ 1897), honrou de modo especial o Deus-Menino, não só ao escolhê-Lo para seu nome em religião, mas iniciando a via da "Infância Espiritual". Foi numa noite de Natal, a de 1886, que ela recebeu a maior graça de sua vida, segundo disse, isto é, a de sair da imaturidade da infância para entrar na grande via dos santos.

Ela se abandonava ao Deus-Menino com toda docilidade, como uma bola nas mãos de uma criança. Quando recebeu o encargo de adornar uma imagenzinha do Menino Jesus que havia no claustro, ela o fazia com grande devoção. Além disso, mantinha prolongados colóquios com o Deus-Menino diante da imagem do Menino Jesus de Praga que se encontrava no coro do noviciado.

Maravilha de Praga: o Pequeno Rei

Praga, capital da atual República Checa, é considerada, a justo título, uma das mais belas capitais da Europa. O visitante não se cansa de a percorrer, sempre descobrindo coisas novas e maravilhas não suspeitadas. Sua topografia concorre muito para sua beleza, e o rio Moldava, que a corta, tornou-se quase legendário. A arquitetura de Praga reflete os vários períodos de sua história. Nela se vêem desde fundações românicas, belíssimos exemplos do gótico religioso e civil, edifícios renascentistas, barrocos e clássicos. E até um exemplo da chamada "arte" moderna, como infeliz concessão ao espírito do tempo.

Entre os inúmeros prédios dignos de menção nessa cidade privilegiada, figura a igreja de Nossa Senhora das Vitórias, primeiro santuário barroco local, erigido de 1613 a 1644. Pertencente aos carmelitas descalços, nela está a grande maravilha de Praga: a encantadora imagem do Pequeno Rei, como é conhecido o Menino Jesus de Praga.

A Princesa Polyxene de Lobskowitz

Era uma das senhoras mais distintas e piedosas do seu tempo, conhecedora da voluntária pobreza em que viviam os Padres Carmelitas e da grande estima que o povo cristão lhes tributava depois da miraculosa vitória da Montanha Branca, obtida pelas orações do Venerável P. Domingos. Possuía, entre as suas lembranças de família, a imagem do Menino Jesus, que sua mãe, princesa Manrique de Lara (da família real de Espanha), lhe tinha oferecido como o mais valioso presente do casamento; ela, por sua vez tinha-a recebido de Santa Teresa de Jesus. Em 1628, esta piedosa princesa, como impelida por uma força superior, compreende que deve desprender-se daquela prenda querida e entregá-la aos Padres Carmelitas, que ficariam como os seus melhores e mais devotos custódios. Apresenta-se de facto no convento, e diante de toda a comunidade, entrega ao Padre Prior, venerável Fr. João Luís da Assunção, a belíssima imagem, dizendo-lhe: «Meu Padre, eu vos dou o que tenho de mais querido. Honrai esta imagem do Menino Deus e nada vos faltará». A imagem foi exposta à veneração dos religiosos no coro-oratório, onde tinham lugar os atos piedosos da comunidade.

As palavras da augusta doadora verificaram-se à risca. Deus prodigalizou as suas graças ao convento que possuía o Divino Menino: nunca lhes faltou o necessário; foi cumulado de bênçãos espirituais e temporais enquanto ali preservou a devoção ao Menino Jesus (Crônicas dos Carmelitas Descalços da Província de Áustria).

Frei Cirilo: de miraculado a apóstolo do Menino Jesus

Habitava esse convento um jovem sacerdote, Frei Cirilo da Mãe de Deus, que, tendo deixado o ramo carmelita mitigado, abraçara a reforma de Santa Teresa. Porém, em vez de encontrar a paz que tanto esperava, sentia-se como um réprobo, sofrendo as penas do inferno. Nada o consolava ou apaziguava.

O prior, notando-o macambúzio e abatido, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Frei Cirilo abriu-lhe o coração, contando todas as suas penas. "Uma vez que o Natal se aproxima, disse-lhe o prior, por que não se põe aos pés do Santo Menino e lhe confia todas as suas penas? Verá como Ele o ajudará".

Obedecendo, Frei Cirilo dirigiu-se à imagem do Menino Jesus: "Querido Menino, olhai minhas lágrimas! Estou a vossos pés, tende piedade de mim!" No mesmo instante, sentiu como que um raio de luz penetrar em sua alma, fazendo desaparecer todas as angústias, dúvidas e sofrimentos.

Comovido e sumamente agradecido, Frei Cirilo tornou-se um verdadeiro apóstolo do Divino Infante.

Ataque sacrílego de protestantes

Entretanto, os protestantes se reagruparam em novembro de 1631, sob o comando do príncipe eleitor da Saxônia, e assediaram novamente Praga. Houve pânico entre os imperiais e a angústia dominou os habitantes da cidade. Muitos fugiram.

Frei João Maria, por prudência, mandou seus frades para Munique, permanecendo ele na cidade para custodiar o convento com apenas mais um religioso.

Praga capitulou. Os soldados protestantes invadiram igrejas e conventos, profanando e destruindo os objetos do culto católico. Puseram na prisão os dois frades carmelitas e começaram a depredar o convento. Vendo no oratório dos noviços a imagem do Menino Jesus, começaram a rir e a zombar dela. Um dos soldados, desejoso de mostrar-se diante dos outros, com a espada decepou as mãozinhas da imagem sob os aplausos dos companheiros. Depois, empurrou-a para o meio dos escombros a que ficara reduzido o altar.

Assim, a veneranda imagem ficaria sepultada debaixo dos escombros, e sem os seus fiéis devotos, pois os Carmelitas viram-se obrigados a fugir para não perecerem em tamanha hecatombe. O terror, a miséria e a desolação reinavam na cidade de Praga e nos seus habitantes, ameaçados de morte pelos ferozes invasores.

Encontro da Imagem

Foi precária a paz de 1635 que trouxe os Carmelitas ao seu antigo convento, quase todo ele em ruínas. Por falta de meios e de pessoal, foram demorados os trabalhos de restauração, empreendidos por sua vez num ambiente de insegurança e timidez, provenientes da presença dos protestantes. Os religiosos, sumidos na mais espantosa miséria e reduzidos à extrema indigência, erguiam ao céu as mais ardentes súplicas a fim de obter uma verdadeira paz e alívio nas terríveis dificuldades que estavam atravessando. Os seus pedidos – com grande espanto dos religiosos – não eram atendidos no céu. O que esclareceu esta confusa e difícil situação foi a vinda do P. Cirilo da Mãe de Deus em 1637, que outrora tinha estado no Noviciado de Praga, e que era devotíssimo do Menino Jesus. Este santo religioso, compreendendo que Deus não queria abençoar a comunidade e a cidade enquanto o Menino Jesus não fosse honrado como merecia, pediu ao Superior licença para procurar a imagem do Menino Jesus, dizendo-lhe: «Se nós O honrarmos de novo, Ele nos dará segurança». Obtida a licença, após reiterados esforços tem a grande felicidade de encontrar a tão desejada imagem atrás do altar, coberta de pó e sujeira . Por incrível que pareça, ninguém havia mexido naquele local durante aqueles atribulados tempos. Com alegria, levou-a ao prior. Diante da imagem com as mãos decepadas, os frades oraram fervorosamente pela salvação da cidade, o que realmente se deu.

Fala a Imagem

Logo que foi colocada no coro a imagem veneranda, entre cânticos e lágrimas dos religiosos, o inimigo, que durante seis longos anos tinha cercado a cidade de Praga, levanta o cerco; e o convento, que vivia sumido na mais desoladora miséria, vê-se provido do preciso para viver com desabafo. Estes dois factos foram o princípio duma nova era no culto da santa imagem e o início de outros inúmeros prodígios e favores. Os bons religiosos recorriam em tudo ao Menino Jesus e, movido por especial fervor, o venerando Padre Cirilo passava horas e horas em oração diante do seu Reizinho. Um dia em que estava ajoelhado para Lhe tributar as suas homenagens, ouviu claramente a voz do Menino Jesus que lhe diria: «Tende piedade de Mim, e Eu terei piedade de vós; restituí-Me as minhas mãos que me cortaram os hereges, e Eu vos darei a paz. Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei». Estas ternas palavras, que encerram três belas promessas, são a garantia mais segura para as almas que a Ele recorrem em demanda de paz para os seus espíritos atribulados e de bênção para as necessidades espirituais e materiais. Reparação da imagem. O Venerável Padre Cirilo recorreu logo ao Superior, certo de que a imagem ia ser consertada, mas o Superior entendeu que uma estátua mais bonita e mais rica seria melhor, e por isso a antiga foi posta de lado. O P. Cirilo teve que obedecer, mas Deus manifestou o seu descontentamento. No mesmo dia da inauguração da nova imagem, um candelabro chumbado na parede desprende-se repentinamente e reduz a mil pedaços a imagem; ao mesmo tempo caía o Superior gravemente doente não podendo acabar o seu triênio de mandato. Nomeado o novo Prior, o zeloso P. Cirilo pede-lhe imediatamente que mande reparar as mãozinhas do Menino Jesus mutilado, mas ouve esta resposta desconcertante: «Não podemos fazer esta despesa agora em que o restauro da Igreja e do convento exige gravíssimos sacrifícios». Mas a palavra de Deus, embora Menino, é omnipotente, e Ele não deixará de realizar os seus altíssimos desígnios. A comunidade volta a cair na miséria, a peste assola a cidade, alguns religiosos morrem vitimados pela peste e o próprio Prior fica gravissimamente atingido, em perigo de morte. E então, de acordo com a comunidade, manda celebrar dez missas diante da imagem do Menino e propagar a sua terna devoção. Cumprida a promessa das dez missas, fica curado e, quer o Prior, quer os outros religiosos, depositaram a sua confiança no Milagroso Menino Jesus.

Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem e o fez compreender que o Menino Jesus deveria ser restaurado o quanto antes, e ser exposto à veneração dos fiéis em uma capela a Ele dedicada. É sempre Nossa Senhora quem conduz a Jesus!

A imagem, porém, não foi reparada, e muitas vezes o P. Cirilo desabafava a sua dor aos pés do Divino Infante, até que um dia ouve a mesma voz dizer-lhe: «Põe-Me à entrada da sacristia e alguém terá piedade de Mim». O Padre obedeceu logo, e a antiga imagem, com as mãos quebradas, foi colocada à entrada da sacristia. Um estrangeiro, chamado Daniel Wolf, quis tomar à sua conta a restauração da imagem e foi imediatamente favorecido por Deus. Este estrangeiro vergado ao peso dum processo, porque o acusavam de desempenhar mal as suas funções de Comissário de guerra, perdera já o seu lugar e ia ficando arruinado. Logo que se encarregou da restauração da imagem, o processo foi arquivado, mereceu as graças do Soberano e a sua fortuna restabeleceu-se.

A imagenzinha foi assim restaurada e colocada dentro de uma urna de cristal próxima à sacristia. Cumpria-se assim o desejo expresso por Nossa Senhora a Frei Cirilo, de que o Menino fosse exposto à veneração pública.

Cura miraculosa e aumento do culto

Um fato inesperado iria ter muita influência no culto ao Pequeno Rei. Certo dia, em 1639, Frei Cirilo, tido já por muitos como um santo, foi procurado pelo Conde de Kolowrat, Enrique Liebsteinski, cuja esposa estava gravemente doente. O Conde pediu ao carmelita que levasse a imagem do Menino Jesus à cabeceira da enferma, alegando que esta era prima da Princesa Polyxena, que havia doado a imagem ao Convento. Como vários médicos já a haviam desenganado, a única esperança que restava era o Santo Menino.

Frei Cirilo não podia deixar de atender tão justo pedido. Chegando ao quarto da moribunda, disse-lhe o marido: "Querida, abre os olhos. Vê, aqui está o Menino Jesus para curar-te". Com muito esforço a enferma abriu os olhos, seu rosto iluminou-se, e ela exclamou: "Oh! O Menino está aqui no meu quarto!" E ergueu os braços para ele, a fim de osculá-lo. Vendo isso, o marido exclamou exultante: "Milagre! Milagre! Minha mulher está salva!"

A alegria foi geral. Apenas restabelecida, a condessa foi ao convento e ofereceu ao Menino uma coroa de ouro e objetos preciosos em sinal de gratidão. Este foi um dos milagres mais célebres atribuídos ao Pequeno Rei.

Tornado conhecido esse prodígio, é natural que sua fama começasse a disseminar-se não só na corte, mas também entre o povo da cidade e redondezas. E diante do altar do Menino Deus começaram a afluir, cada vez em maior número, peregrinos de todas as partes.

Isso fez com que uma rica dama da corte, levada por devoção indiscreta, furtasse a imagem. Mas esse sacrilégio foi castigado por Deus, e o Pequeno Rei retornou aos carmelitas.

As muitas doações em dinheiro e em espécie, com as quais os fiéis agradeciam graças recebidas do Divino Infante, tornaram possível construir a capela destinada à milagrosa imagem. Para sua solene consagração, em 1648, foi convidado o Arcebispo de Praga, Cardeal Ernesto Adalberto de Harrach, que concedeu aos frades a mais ampla faculdade de celebrar missa nessa ermida do Santo Menino Jesus. Com essa solene confirmação do Arcebispo, a capela do Pequeno Rei da Paz converteu-se num lugar de culto oficial e muito frequentado.

Rápido Desenvolvimento

A devoção ao Menino Jesus tinha-se conservado até este período na intimidade e solidão do convento, especialmente no Santo Noviciado. O bem-estar, tanto espiritual como material do convento, dependia visivelmente dos maiores ou menores cuidados que tinham com a imagem do «Pequenino-Grande», e narra a história que alguns Carmelitas foram, várias vezes, cruelmente punidos por não terem rodeado a querida imagem das honras que Lhe eram devidas.

Culto Público

Os Padres Carmelitas fundados em muitas provas de proteção recebidas do Menino Jesus, reconheceram que tinham no convento um tesouro de incalculável valor, que não podia ficar por mais tempo escondido, mas que devia ser exposto à pública veneração. A Baronesa Catarina de Lobskowitz, dirigida do Padre Cirilo e alma santa, mandou erigir um magnífico altar para nele colocar a prodigiosa estátua do Menino Jesus. E rodeada por um cortejo branco de religiosos foi transportada do convento para a Igreja, onde a colocaram sobre o altar que com tanto cuidado Lhe tinham preparado, sendo cantada a missa em sua honra.

Foi então que pela primeira vez se rendeu culto público à imagem do Menino Jesus de Praga.

Novas provações, altar definitivo

Novamente em 1648, em outra batalha durante a Guerra dos Trinta Anos, as tropas dos protestantes suecos invadiram a cidade e transformaram o convento carmelita em hospital de campo. Mas nenhum dos 160 soldados feridos ali tratados atreveu-se a escarnecer do Santo Menino. Pelo contrário, o próprio comandante dos invasores, o General Konigsmark, durante uma inspeção, prostrou-se diante da milagrosa imagem, dizendo: "Ó Menino Jesus! Não sou católico, mas também creio em tua infância e estou impressionado ao ver a fé das pessoas e os milagres que fazes em seu favor. Eu te prometo que, no que me for possível, farei levantar o aquartelamento do convento". E entregou aos frades um donativo de 30 ducados.

Pouco depois os suecos levantaram o assédio de Praga, e todos atribuíram a libertação à proteção do Pequeno Rei. 

A Admirável Visão do P. Cirilo

O «devoto capelão» do Menino Jesus via com grandíssimo agrado o seu «Pequeno-Grande» ser cada vez mais amado pelos religiosos e pelo povo. Mas ninguém estava satisfeito; de toda a parte se pedia a construção duma Igreja exclusiva d’Ele. Este era também o desejo dos Padres Carmelitas. Tais aspirações foram confirmadas pela Santíssima Virgem, que apareceu ao seu venerável servo P. Cirilo. Ao princípio das matinas envolvida numa nuvem e rodeada por multidão de anjos e indicando com o dedo um lugar determinado diz: «Edificar-se-á aqui uma Igreja ao meu Filho». No dia seguinte o P. Cirilo corre ao lugar indicado pela Virgem, e com imensa alegria vê as linhas demarcativas da Igreja. O Prior dos Carmelitas Descalços manifestou os seus desejos aos piedosos e ilustres barões de Lobskowitz. Estas almas devotas, honradas com tão agradável convite, tomaram à sua conta a construção da nova Igreja, que foi benzida em 1644; estava pegada à primitiva Igreja de Nossa Senhora da Vitória. A veneranda imagem, rodeada por um magnífico cortejo e seguida por imenso povo, foi transportada solenemente ficando assim a tomar conta do seu novo Santuário onde se constituíram missas perpétuas. A 14 de Janeiro de 1651, o Eminentíssimo Sr. Cardeal, Arcebispo de Praga, consagrou o altar com singular júbilo do povo cristão.

A Gratidão do Menino Jesus

O novo Santuário com o preciosíssimo altar do Menino Jesus foi um verdadeiro trono de graças e favores extraordinários. A Casa de Lobskowitz foi a alma desta grande empresa: a construção do Santuário. Rapidamente experimentaram aqueles bons senhores a proteção do Menino Jesus. Um filho daquela Casa encontrava-se na iminência de perder a sua honra e a sua antiosa fortuna. Refugiou-se na Igreja dos Carmelitas, e lá, aos pés do Menino Jesus, fez, com a mais viva fé, este juramento: «Eu, o abaixo assinado, hoje, dia de São João Batista, comprometo-me a fundar uma renda perpétua em favor do meu amadíssimo Menino Jesus, venerado nos Carmelitas Descalços de Praga. Em fé deste juramento, junto a Deus por testemunha. Feito a 24 de Junho de 1643. Fernando Cristóvão, Barão de Lobskowitz».Logo que fez a sua grande promessa, sentiu que a sua oração tinha sido atendida, pelo que voltou à casa paterna livre de todo o perigo e aflição. As graças e favores obtidos pela devoção ao Menino Jesus eram cada vez mais numerosas, como atestam os ex-votos oferecidos ao Divino Infante. No mesmo dia em que o Santuário foi inaugurado, o Conde Ernesto de Chilick teve um ataque fortíssimo de gota; o caso era considerado pelos médicos como completamente desesperado. Não tendo mais nenhuma esperança, enviou ao Santuário do Menino Jesus ricos presentes para obter uma boa morte. No entanto, prometeu que, se num caso inesperado ele recuperasse a saúde, instituiria uma missa semanal em louvor do Divino Infante. No dia seguinte estava completamente curado. A partir de 1642 a devoção ao Menino Jesus de Praga, como já era chamado, tomou tal incremento, que o clero e o povo acorriam constantemente ao Santuário do «Menino-Grande» a fim de agradecer os grandes benefícios que lhes dispensara e pedir novos favores para a Igreja e para a Pátria.

Ante aquela imagem vinham prostrar-se o plebeu e o nobre, o inocente e o pecador, os grandes e os pequenos, especialmente as crianças, pelas quais o Menino Jesus tem uma predileção especialíssima; ante aquela imagem expunham-se os negócios árduos e as grandes aflições. E todos eram atendidos segundo a fé e a confiança que no Menino Jesus depositavam. Por isso foi e continua a ser chamado Menino Jesus Taumaturgo, Miraculoso, Milagroso.

Confirmação e expansão do culto

Com a volta à normalidade, chegou a Praga em 1651 o Superior Geral dos Carmelitas, Frei Francisco do Santíssimo Sacramento, que aprovou a devoção do Divino Infante, recomendando aos frades que a difundissem pelos outros conventos austríacos e entre os fiéis. Deixou escrita uma carta, reconhecendo a legitimidade do culto à sagrada imagenzinha, que foi afixada na porta da capela do Menino Jesus.

Em 1655, graças à contribuição do Barão de Tallembert, a milagrosa imagem foi colocada em magnífico altar na igreja de Santa Maria da Vitória e solenemente coroada pelo Arcebispo de Praga, D. José de Corti. Ainda hoje se celebra uma festa solene no dia da Ascensão, em lembrança dessa coroação.

No ano de 1675, Frei Cirilo da Mãe de Deus entregou sua alma a Deus em odor de santidade, aos 85 anos de idade.

A devoção ao Divino Menino continuou alastrando-se por todas as camadas sociais. A grande imperatriz do Império Austro-Húngaro, Maria Teresa, quis confeccionar em 1743, com suas próprias mãos, uma rica veste para o Pequeno Rei.

O Conde Bernardo de Martinitz, grande Marquês da Boémia, mandou-Lhe fazer uma coroa de ouro, ornada de pérolas e diamantes, cuja elegância igualava à riqueza. E a imagem foi coroada a 4 de Abril de 1655 por Monsenhor José Corti, Bispo Auxiliar do Eminentíssimo Cardeal de Praga, doente nessa ocasião.

Milagres Durante a Peste

O ano de 1713, foi para a cidade e arredores de Praga dos mais desastrosos. A peste devastou a população. Basta dizer que, só desde o dia 22 de Agosto deste ano até Março do ano seguinte vitimou mais de 20.000 pessoas e perto de dois milhões de cabeças de gado. Nesta terrível conjuntura o povo não esqueceu o seu celeste protetor. Os Padres Carmelitas diziam missa no Santuário e recitavam as ladainhas do Santo Nome de Jesus. O povo corria ali, desde o romper do dia até à tarde, em multidão, e quando se fechava a Igreja, muitos ainda pediam a graça de os deixar entrar, visto não terem antes conseguido um lugar. Narram os historiadores que era verdadeiramente comovedor ver esta multidão invadir o Santuário e pedir de joelhos ao Menino Jesus a sua proteção divina contra o terrível flagelo da peste. A sua confiança não os enganou: constatou-se que os que recorriam à Sua divina proteção não eram atacados por este mal terrível. Houve no entanto um facto que chamou a atenção, e que contribuiu para mostrar a eficácia da devoção ao Menino Jesus. Um fervoroso cristão, chamado Maloiski, foi atacado pela mortífera peste. Não estando em condições de ir orar diante da imagem do Santuário, deitou-se na cama cheio de confiança, depois de invocar a proteção do Divino Infante, de quem era devotíssimo. Sobreveio-lhe um sono profundo e, quando acordou, o mal tinha desaparecido. Uma mulher de Praga, tendo ouvido este facto, não quis acreditar na sua possibilidade e riu-se da devoção à qual o homem devia a sua cura. No mesmo dia sentiu-se atacada pela peste e no dia seguinte estava morta.

Estes e outros inúmeros prodígios operados pelo Menino Jesus concorreram eficazmente para que esta devoção tomasse um rápido incremento em toda a Europa e, atravessando o Atlântico e o Pacífico, chegasse aos últimos confins da terra como corrente vivificadora e consoladora.

Imagem preservada durante tiranias nazista e comunista

Em 1744, mais uma vez as tropas dos protestantes, agora prussianos, cercavam Praga. As autoridades da cidade acorreram ao convento dos carmelitas, pedindo ao prior que o Pequeno Rei fosse levado em procissão solene pela cidade, a fim de a livrar da destruição dos hereges. E realmente chegou-se a uma capitulação honrosa, sem batalhas; poucos meses depois os prussianos deixaram Praga, e todos seus comovidos habitantes acorreram à igreja de Nossa Senhora da Vitória para agradecer ao Menino Jesus mais essa graça.

Entretanto, outro perigo maior ameaçava a devoção ao Divino Infante. Em 1784, o ímpio Imperador José II suprimiu o convento dos carmelitas e confiou a igreja de Nossa Senhora da Vitória à Ordem de Malta. E assim, sem a assistência contínua dos carmelitas, o culto ao Menino Jesus decaiu.

Já no século XX, durante a II Guerra Mundial, houve a ocupação de Praga pelos nazistas, e depois o flagelo comunista abateu-se sobre o país durante quase 50 anos. Mas nem um nem outro inimigo da fé católica atentou contra a milagrosa imagem, que continuou em seu trono na igreja de Nossa Senhora da Vitória.

De Praga, o culto ao Menino Jesus já se havia estendido por toda a Europa, e daí para a América Latina (inclusive Brasil), Índia e Estados Unidos. Neste país, isso se deu graças à devoção de Santa Francisca Xavier Cabrini, que ordenou a entronização, em cada uma das casas do instituto por ela fundado, de uma imagem do Pequeno Rei.

Devoção expande-se a Arenzano

Em 1895, os carmelitas de Milão pediram ao Cardeal Ferrari licença para introduzir a devoção ao Menino Jesus de Praga em sua igreja de Corpus Domini. O Cardeal não só autorizou a entronização, mas quis ele mesmo fazê-la em presença de três mil fiéis. Na ocasião, consagrou todas as crianças de Milão ao Menino Jesus de Praga.

A partir de então, essa devoção conquistou o coração dos italianos.

No convento carmelita de Arenzano, fundado em 1889 pelo irmão do fundador de Corpus Domini, surgiu a ideia de se expor um quadro representando o Menino Jesus de Praga na igreja do convento. Os habitantes da cidade logo se mostraram muito sensíveis ao novo culto, e o Pequeno Rei atendeu suas orações e pedidos com muitas graças e bênçãos.

No ano de 1902, para substituir o quadro, a Marquesa Delfina Gavotti, de Savona, presenteou os frades com uma imagenzinha do Menino, cópia exata da de Praga. A enorme afluência dos fiéis ante o altar do Menino Jesus convenceu os frades a construírem um santuário expressamente dedicado a Ele. A primeira pedra foi colocada em outubro de 1904, e quatro anos mais tarde o templo era solenemente consagrado.

O cronista do convento carmelita anotou então: "Para todos foi claro que só o culto à infância divina, venerada com o título do Santo Menino Jesus de Praga, deu origem, desenvolvimento e feliz final à nossa empresa de construir esta igreja, para que fosse para os fiéis de toda Itália o centro propulsor desta devoção".

No dia 7 de setembro de 1924, Sua Santidade o Papa Pio XI enviou especialmente o Cardeal Merry del Val para coroar solenemente a sagrada imagem. Assim, a devoção ao Menino Jesus de Praga recebia a aprovação oficial da Igreja.

Em Praga: proibição do culto pelos comunistas

Enquanto em Arenzano florescia a devoção, em Praga, transformada em capital da então Checoslováquia, o regime comunista impedia o livre exercício de culto, propugnando o ateísmo do Estado. Em 1968, uma tentativa de livrar-se do regime ímpio foi sufocada com sangue na chamada Primavera de Praga.

A devoção ao Menino Jesus continuava restrita aos que frequentavam a igreja onde estava exposto, e também ao fruto do apostolado das monjas carmelitas que, deportadas para longe de Praga, pintavam estampas com o Santo Menino e as enviavam clandestinamente a outros conventos europeus.

Finalmente, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, e depois, com a Revolução do Veludo, cessou a ditadura comunista na Checoslováquia, que se transformou na República Checa, independente e soberana. Foi restabelecida a liberdade civil e religiosa, e o novo Arcebispo de Praga, que fora também vítima da repressão comunista, quis que reflorescesse a devoção ao Menino Jesus. A convite dele, dois frades carmelitas, justamente de Arenzano, foram para Praga reabrir o convento e estimular a devoção ao Divino Menino Jesus.


É a Devoção Mais Simpática

O motivo é muito simples e evidente. Apresenta-nos a Jesus na fase mais encantadora da sua vida: a INFÂNCIA. E a infância é, indiscutivelmente, a idade mais bela – também a mais feliz – em todo o sentido: humana e divinamente.

A idade mais bela humanamente! As crianças têm encantos incomparáveis, únicos! A criança é a flor mais mimosa, mais delicada, mais encantadora que há no mundo; que a todos agrada e a ninguém desgosta; que faz vibrar os sentimentos mais recônditos da alma e que, com uma força irresistível, cativa os corações. Um lar sem crianças é como um vaso sem flores. É também a mais bela divinamente! Jesus teve pelas crianças uma especialíssima predileção. «Deixai, dizia Ele, as criancinhas e não as impeçais de vir a Mim, pois delas é o reino dos céus» (Mt. 19, 14). E Jesus, sempre tão comedido nas suas manifestações afetivas, derramava nas crianças as ternuras mais delicadas do seu puríssimo coração: «Depois, tomou-as nos braços e abençoou-as, impondo-lhes as mãos» (Mc. 10, 16). Só para as crianças reservava estas ternuras. O Menino Jesus tem todos os encantos duma criança; mais: os encantos todos duma criança que é ao mesmo tempo Deus. Jesus pequenino inspira-nos uma confiança sem limites, uma intimidade carinhosa. Quem é que tem medo duma criança? Jesus «grande» inspira-nos um amor de intimidade. Jesus na cruz atrai-nos pela grandeza dos seus sofrimentos, na Eucaristia pela sublimidade do seu amor... na Infância pela suavidade dos seus encantos humano-divinos.

A devoção ao Menino Jesus tem a grandíssima vantagem de arrebatar os corações com os seus encantos divinamente infantis, colocando-nos num ambiente de intimidade total com Deus e, por isso mesmo, de quase naturalmente introduzir-nos no caminho da Infância espiritual, que é a celestial mensagem de santidade ensinada por Santa Teresinha do Menino Jesus.

É uma Devoção de Grandíssima Utilidade

O coração de Jesus Menino está animado por um veementíssimo desejo de ABENÇOAR, e abençoar a TODOS e SEMPRE. Na sua imagem vêmo-lO com a sua mãozinha direita levantada como para abençoar; não é a mãozinha duma criança impotente, mas a MÃO infinitamente PODEROSA, OMNIPOTENTE de um Deus humanado e que, sendo «pequenino» move forte e suavemente a máquina universal do mundo, desde o grãozinho de areia, que é levado nas asas do vento, até aos desertos quase infinitos do mundo misterioso que nos envolve. Nessa mesma imagem vêmo-lO revestido de rei e, como emblema do seu poder soberano, tem na mão esquerda o globo terrestre. Aos encantos incomparáveis da sua Infância alia harmoniosamente o poder infinito de um Deus humanado.

Estamos convencidos que esta devoção há de produzir nas almas e nas famílias grandes frutos de salvação e santificação, para bem da humanidade inteira, e que há de ocupar um lugar de soberana grandeza no culto cristológico. A sua importância e utilidade foram reconhecidas pelos mestres da espiritualidade, que consideram a devoção ao Menino Jesus como um estímulo poderoso para entrar no caminho da Infância Espiritual, que é um «Caminho Novo» por onde, segundo Bento XV, «os fiéis de qualquer nação, idade, sexo e condição devem entrar generosamente, caminho pelo qual Santa Teresa do Menino Jesus atingiu o heroísmo da virtude. Desejamos que o segredo da santidade de Santa Teresa não fique ignorado de nenhum dos nossos filhos» (Bento XV).É verdade: Teresinha trouxe ao mundo o «Omen novum», uma mensagem nova até agora desconhecida pela maior parte dos cristãos, a mensagem da santidade universal para todas as almas desejosas de perfeição, voltando assim a encontrar o sentido genuíno, puríssimo, profundíssimo – e tão simples – dos ensinamentos do Mestre Divino que dizia: «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino do céus» (Mt. 18, 3). Estas palavras indicam que, mesmo para nos salvar, havemos de nos tornar criancinhas. E Jesus, como Menino, é o modelo perfeitíssimo e concreto para todos os que aspiram à perfeição – a que, como cristãos, todos estamos obrigados – indo pelo caminho rápido da Infância Espiritual. Teresinha, a doutora incomparável desse novo caminho, providencialmente escolheu o nome de Teresinha do Menino Jesus.

A utilidade desta devoção patenteia-se ainda mais concretamente pelas grandes promessas feitas pelo Menino Jesus de Praga, promessas extremamente generosas e consoladoras, tão generosas e consoladoras que merecem um capítulo especial.


Novena


RITOS INICIAIS

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Eu Vos saúdo, Divino Menino Jesus, o mais belo dos filhos dos homens, o autor da divina graça. Vós sois o Filho adorável do Pai eterno e o Filho bendito da Virgem Imaculada. Honro a vossa santa Infância e celebro os mistérios da Encarnação, para alcançar as graças e as virtudes que me tornam semelhante a Vós.

COROINHA DO MENINO
(Reza-se três vezes)

- O Verbo Se fez carne,

- E habitou entre nós.

Pai nosso, ...

I MISTÉRIO A ENCARNAÇÃO

Senhor Jesus, enviado do Pai e concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, abençoai os pais que geram para a vida.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de um ano.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 1, 26-38.

II MISTÉRIO: A VISITAÇÃO

Senhor Jesus, que ainda no seio da Virgem Maria visitastes João Batista e o alegrastes com a vossa presença, sede a alegria das mães que esperam o nascimento dos seus filhos.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de dois anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 1, 39-47.

III MISTÉRIO: A EXPECTAÇÃO DO NASCIMENTO

Senhor Jesus, que durante o tempo da geração fostes desejado pela Virgem Maria e por S. José, ajudai os pais a preparar o nascimento dos seus filhos.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de três anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 1-5.

IV MISTÉRIO O NASCIMENTO DO MENINO JESUS

Senhor Jesus, nascido no presépio em Belém, assisti as mães nos seus partos e ajudai o nascimento dos que foram gerados para a vida.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos.

Eu Vos adoro na idade de quatro anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 6-7.

V MISTÉRIO A CIRCUNCISÃO

Senhor Jesus, que fostes circuncidado e recebestes o nome de Jesus, concedei a todas as crianças o nome novo do Batismo, que inscreve os mortais para a vida eterna.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de cinco anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 21.

VI MISTÉRIO: A ADORAÇÃO DOS MAGOS

Senhor Jesus, que guiastes os Magos com a luz da estrela e aceitastes os seus presentes, orientai a nossa vida e conduzí-nos pelos vossos caminhos, para que onde Vós estais, nós estejamos também.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de seis anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Mt. 2, 1-12.

VII MISTÉRIO: A APRESENTAÇÃO

Senhor Jesus, que fostes apresentado no Templo e recebido nos braços de Simeão e Ana, abençoai todos os que se dedicam às crianças.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de sete anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 22-35.

VIII MISTÉRIO: A FUGA PARA O EGITO

Senhor Jesus, que fostes levado para o Egito para escapar à perseguição de Herodes, protegei as crianças que são vítimas de qualquer forma de agressão.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de oito anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Mt. 2, 13-14.

IX MISTÉRIO: A MORADA NO EGITO

Senhor Jesus, refugiado no Egito e morador em terra estranha, concedei a todos os homens uma digna morada terrena na esperança do regresso à pátria celeste.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de nove anos.

Ave Maria, cheia …

Texto bíblico: Mt. 2, 14-15.

X MISTÉRIO: O REGRESSO DO EGITO

Senhor Jesus, regressado do Egito e morador em Nazaré, fazei voltar à sua terra os que por ela anseiam e concedei a todos uma digna morada terrena.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de dez anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Mt. 2, 19-22.

XI MISTÉRIO: A VIDA OCULTA EM NAZARÉ

Senhor Jesus, entregue à vida oculta em Nazaré, ajudai as crianças e os jovens a crescer no corpo e no espírito e livrai-os dos perigos.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de onze anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 39.

XII MISTÉRIO: JESUS ENTRE OS DOUTORES

Senhor Jesus, perdido no templo e encontrado entre os doutores, ajudai os jovens a encontrar a verdade que procuram, para que se ocupem na prática do bem.

Divino Menino Jesus, abençoai-nos. Eu Vos adoro na idade de doze anos.

Ave Maria...

Texto bíblico: Lc. 2, 41-52.

CONSAGRAÇÃO

Divino Menino Jesus, Senhor da minha vida, eu Vos ofereço todo o meu ser e me consagro a Vós, para o presente e para o futuro: recebei a minha alma e enchei-a com o vosso amor; acolhei o meu coração e guardai-o junto do vosso; guardai a minha boca e fazei da minha vida um louvor; sede a luz dos meus olhos e iluminai os meus passos; falai aos meus ouvidos e convertei o meu coração; estendei a vossa mão e amparai a minha vida; escutai o meu pensar e seja feita a vossa vontade; vede a cruz da minha vida e vinde em meu auxílio; consolai-me na tristeza e abençoai-me na alegria; aliviai-me na doença e conservai-me em saúde. Consagro-me ao vosso serviço nas coisas do Pai para estar vigilante nas boas obras. Fazei que eu me perca só em Vós e me encontrem sempre os que Vos procuram. E quando chegar a minha hora concedei-me, Jesus bendito, o conforto da Virgem Mãe para que, vencida a morte, triunfe a vida e se estabeleça para sempre o vosso reino de paz e de amor. Amém.

PEDIDO

Divino Menino Jesus de Praga, que prometestes: «Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei», pelos méritos da vossa santa infância, concedei a graça que vos peço ... (nomeia-se a graça).

BÊNÇÃO

Divino Menino Jesus. Abençoai-me.

O Menino Jesus me abençoe (benze-se) e me guarde de todo o mal. Amém.



Pequena Coroa


1. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que nascestes numa gruta e que sobre palha fostes colocado numa manjedoura, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

2. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que levado nos braços de Maria, vossa Mãe, fostes apresentado e oferecido no Templo!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

3. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que perseguido por Herodes fostes obrigado a fugir para o Egito!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

4. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que permanecestes exilado no Egito como pobre e desconhecido imigrante!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

5. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que regressastes à vossa Pátria para crescer obediente a vossos Pais!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

6. Ó dulcíssimo Menino Jesus, que na idade de doze anos peregrinastes ao Templo e e durante três dias vos ocupastes nas coisas do Pai!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

7. Ó dulcíssimo Jesus, que durante muitos anos viveste como silencioso e disponível operário, ajudando Maria e José!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

8. Ó dulcíssimo Jesus, que três anos antes da vossa Paixão aparecestes no mundo para pregar e ensinar o caminho da salvação!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

9. Ó dulcíssimo Jesus, que terminastes a vossa vida morrendo na Cruz por nosso amor!, tende compaixão de nós.

- Tende compaixão de nós, Senhor! Tende compaixão de nós, Senhor!

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai. 


Consagração das Crianças

Divino Menino Jesus, que amais com predileção as crianças. Nós Vos consagramos a nossa infância e pedimos a vossa proteção para sermos obedientes aos nossos pais e assim nos parecermos convosco.

Concedei-nos crescer todos os dias nos membros do corpo e nas virtudes da alma.

Conservai em nós a pureza de costumes e a inocência de um coração puro como o vosso. Amém.

 Consagração dos Filhos Feita Pelas Mães
 
Ó Menino Jesus, Divino Reizinho, pelas mãos da vossa Santíssima Mãe, eu Vos consagro o meu filho (a minha filha / os meus filhos). Dignai-Vos tomá-lo sob a vossa poderosa proteção, preservai-o da doença e de toda a influência má, conservai-o puro e que a vosso exemplo ele cresça em graça e virtudes, diante de Deus e dos homens!

Divino Menino Jesus, abençoai o meu filho!

Divino Menino Jesus, protegei o meu filho!

Divino Menino Jesus, santificai o meu filho!

Consagração da Família

Divino Menino Jesus, nosso rei e Senhor, prostrados a vossos pés, nós Vos consagramos as nossas famílias.

Concedei-nos a harmonia da Sagrada Família para Vos honrarmos com uma vida santa. Fazei das nossas famílias modelos de vida cristã e familiar, construtoras duma sociedade nova e duma Igreja renovadora.

Uni os corações divididos, sede o amor dos esposos, a ternura das mães e a dedicação dos pais. Consolidai as famílias unidas e abençoai os seus membros na paz e no amor.

Consagração dos Devotos

Divino Menino Jesus, Senhor da minha vida, eu Vos ofereço todo o meu ser e me consagro a Vós, para o presente e para o futuro:

recebei a minha alma e enchei-a com o vosso amor; acolhei o meu coração e guardai-o junto do vosso; guardai a minha boca e fazei da minha vida um louvor; sede a luz dos meus olhos e iluminai os meus passos; falai aos meus ouvidos e convertei o meu coração; estendei a vossa mão e amparai a minha vida; escutai o meu pensar e seja feita a vossa vontade; vede a cruz da minha vida e vinde em meu auxílio; consolai-me na tristeza e abençoai-me na alegria; aliviai-me na doença e conservai-me em saúde.

Consagro-me ao vosso serviço nas coisas do Pai para estar vigilante nas boas obras. Fazei que eu me perca só em Vós e me encontrem sempre os que Vos procuram. E quando chegar a minha hora concedei-me, Jesus bendito, o conforto da Virgem Mãe para que, vencida a morte, triunfe a vida e se estabeleça para sempre o vosso reino de paz e de amor. Amém.

Oração dos Estudantes

Ó Divino Menino Jesus de Praga, sabedoria eterna e encarnada, que generosamente dispensais as vossas graças aos jovens que a vós recorrem: volvei benigno vosso olhar sobre mim que invoco a vossa proteção para os meus estudos!

Vós sois o Homem-Deus! Vós sois o Senhor da ciência! Vós sois a Fonte da inteligência e da memória!

Ajudai-me na minha fraqueza; iluminai a minha mente; reforçai a minha memória, a fim de que possa pôr em prática o que aprendi.

Na dúvida e incerteza sede a minha luz, o meu amparo e conforto.

Ao vosso divino coração imploro a graça de cumprir os meus deveres de estudante e de tirar os melhores frutos dos meus estudos.

Ó Divino Menino Jesus de Praga, protegei-me todos os dias, cobri-me com o vosso manto e guiai-me na senda dos meus estudos e no caminho da salvação eterna. Amém.



O dia 25


O dia 25 é o dia do Menino Jesus

celebrado em memória do seu santo Nascimento

O Evangelista João ao abrir o seu Evangelho faz-nos subir até às origens eternas do Verbo Eterno para, de seguida, nos fazer contemplar a sua existência histórica.

O Evangelista formula assim a assombrosa mensagem: ‘E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós’ (1:14).

A Incarnação é o mistério dos mistérios. Só a fé pode aceitar o indizível paradoxo de podermos contemplar um Deus homem, um Eterno temporal, um Imenso limitado!

O Filho de Deus, ao assumir a humanidade, alcançou o mais profundo empequenecimento, ao fazer-se em tudo semelhante a nós menos no pecado (Atos 4:15).

Cristo abraça todas as debilidades e limitações da humanidade e, de entre elas, a mais pequena: a infância! Assim é a desconcertante lógica da Incarnação!

Ao longo dos tempos muitos dos maiores homens e mulheres de fé se sentiram apanhados pelo mistério da ternura do Deus-menino.

No Carmelo, sempre floresceu esta terna devoção à Santa infância. Recordemos S. João da Cruz bailando com a imagem do menino Jesus; recordemos S. Teresa de Jesus falando com Jesus de Teresa; recordemos S. Teresinha do Menino Jesus atirando flores à sua imagem e fazendo tudo por Lhe agradar...

No Santuário do Divino Menino Jesus de Praga celebramos todos os dias 25 uma missa que oferecemos por todos os amigos, benfeitores e devotos do Menino Jesus, vivos e defuntos.

A Missa celebra-se às 8h00 (em dia de semana); ou 11h30 (se o dia 25 for Domingo).




[1]   Este artigo foi baseado na excelente obra El Pequeño Rey, de Sorella Giovanna della Croce, C.S.C, tradução do italiano para o castelhano pelo Pe. Juan Montero Aparício, AGAM, Madonna dell'Olmo, Cuneo, Italia.
[2]   Vide, por exemplo, suas Homilías sobre el año litúrgico, BAC, Madrid, 1969, pp. 99 ss.
[3]   Cfr. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo 15, p. 379.




Um comentário:

Taiana de Maria disse...

Ola! Excelente artigo! Muito completo e muito bem explicada essa maravilhosa devoção. Gostaria de pedir a vossa autorização para publicá-lo no meu blog dedicado ao Menino Jesus (http://omeninodeus.blogspot.pt/), citando a devida fonte.

Muito obrigada,

Taiana de Maria

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